Subscribe to RSS feeds

terça-feira, 22 de junho de 2010

Semana "COLORIDA" em Dublin



Dia 28 de junho é o dia em que toda a gama de entidades que lutam pelos direitos do LGBTs comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Você imagina por que essa data tenha sido escolhida para ilustrar a nossa causa? Exatamente porque no mesmo dia, só que em 1969, os homossexuais davam um importante passo rumo à tolerância e à aceitação. Nos Estados Unidos, em Nova York, frequentadores do bar Stonewall enfrentaram policiais – cansados de serem chantageados e espancados.
Naquele dia, lá nos idos de 1969, uma porção de gays lutou, bateu, apanhou ( até incendiaram um camburão da polícia). E qual foi o resultado disso tudo: o início de um novo tempo, de redução paulatina da repressão policial. O levante de Stonewall aconteceu no mesmo dia do funeral da atriz e cantora Judy Garland, célebre por dar vida ao papel de Dorothy, do filme “O Mágico de Oz”, e imortalizar a música “Over the rainbow”, também do filme. Aqui entre nós, além do arco-íris, que grande referência foi criada aí.


Para uns, ela foi uma espécie de "mártir da instabilidade". Já para outros, "a mais controvertida figura do showbusiness americano". Para muitos, no entanto, foi uma autêntica Diva. Neste ano, a dona de toda essa controvérsia, a atriz e cantora Judy Garland, completa quatro décadas desde que, enfim, partira para a "terra de céu azul onde os sonhos se realizam", que tanto cantou em Over the rainbow, música de "O Mágico de Oz", que a consagrou como estrela internacional ainda na adolescência.
Entre uma vida de altos e baixos, ela conquistou principalmente o público gay numa época em que praticamente não havia ídolos em quem se espelhar. Curiosamente, seu velório, em Nova York, coincidiu com a rebelião de Stonewall, ocorrida na madrugada de 28 de Junho de 1969, considerada um marco na luta moderna pelos direitos dos homossexuais. Há quem defenda a teoria de que nada teria acontecido - pelo menos naquele momento - se ela estivesse viva. Afinal, a sua morte teria desencadeado a rebelião ou tudo não passou de mera coincidência?
O pontapé desse processo todo foi a interpretação da pequena e adorável Dorothy, de "O Mágico de Oz". Judy tinha apenas quatorze anos, mas já protagonizava uma grande produção. O filme, lançado há 70 anos, conta a saga de uma garota frágil, órfã e incompreendida de uma cidade pequena do Kansas, que viaja por meio de um furacão até um mundo colorido e cheio de novidades. Lá, encontra um espantalho desajeitado, um homem de lata e um leão um tanto efeminado que ajudam em sua jornada até a mística Oz. A cena mais emblemática ocorre ainda no início do filme: depois de indagar "onde haveria uma terra sem problemas", Dorothy, com sua voz de rouxinol, canta os famosos versos de Over the rainbow - música absorvida rapidamente por gays de todo o globo como um hino.
Ironicamente, na vida real, Judy não seria diferente. Dizem, inclusive, que no dia de sua morte, um furacão teria passado pelo Kansas. Do filme, surgiu ainda a expressão "amiga de Dorothy", uma maneira sutil de tirar alguém do armário. De certa forma, Oz serviu de espelho para milhares de homens que desejavam escapar das limitações de uma cidade pequena e partir para lugares maiores que os aceitassem.
Mais tarde, em várias de suas performances, a atriz teria continuado a falar ao coração dos homossexuais, como na canção "The man that got away" sobre um amor não-correspondido. E muitos antes da existência do hino Go West, do Village People, Garland já cantava San Francisco, proclamando: Saaaan Fraaaan-cisco. When I arrive, I really come alive. Sabendo ainda de sua notoriedade entre os gays, certa vez, ela teria dito: "Tenho visões de, quando morrer, bichas cantando Over the rainbow e da bandeira de Fire Island (balneário gay) estar a meio mastro". Dito isso, nada mais nada menos do que 20 mil pessoas compareceram ao seu velório, incluindo membros da Família Kennedy. De acordo com o diretor da capela Campbell, em Nova York, "não havia nada igual desde a morte do ator Rodolfo Valentino, em 1926". Frank Sinatra teria dito ainda: "Nós seremos esquecidos. Judy, não".
 
 
Como se não bastasse o funeral, os meios de comunicação daquele país deram uma parcela significativa de contribuição para a comoção do público, conforme constatou Williamson Henderson, de 57 anos, veterano de Stonewall: "Ela morreu num domingo, mas a emoção das pessoas foi sendo construída durante toda a semana, na medida em que Judy estampava diversas capas de jornal". No Brasil, a morte da estrela também foi notícia em diversos veículos. A revista Manchete, em 05 de Julho de 1969, noticiava: "Judy morreu aos 47 anos, como se tivesse vivendo 100, com a fisionomia dolorosamente marcada pelo desequilíbrio emocional e as crises nervosas, cinco casamentos, uma hepatite crônica e mais de uma tentativa de suicídio, excesso de bebidas e abuso de tranquilizantes, êxitos e fracassos profissionais igualmente vertiginosos". Embora Stonewall tivesse ocorrido na mesma época, a mídia brasileira sequer publicou uma nota sobre o fato.
Williamson, que também é presidente da Associação de Veteranos de Stonewall, afirma que Judy teve tudo a ver com a rebelião. "Quem diz o contrário não estava lá. O quebra-quebra não teria acontecido se Judy estivesse viva", afirma. Ele lembra o clima no dia. "Fui ao funeral, estava chocado. Muitos estavam na praia gay, no Brooklyn, ouvindo as músicas dela, tocadas exaustivamente nas rádios. Depois todos foram para os bares, especialmente o Stonewall. Falavam de seus filmes, músicas, problemas. Estávamos tristes. Alguns choravam e até faziam um brinde à 'Santa Judy'. Várias vezes ela disse que éramos especiais e que nos amava. À uma da manhã, os policiais chegaram", relembra. Ainda segundo o veterano, os policiais atacaram o bar na noite errada. "Alguns deles admitiram que foi burrice ter feito aquilo na parte gay do Village e da Christopher Street no dia do funeral da Judy. Foi um ato desrespeitoso", criticou Williamson.
Outro veterano, o escritor Warren Allen, de 88 anos, conta uma curiosidade sobre o bar, envolvendo a diva: "A vida gay na década de 70 era aventura e mistério. Stonewall era escuro, frio e sujo. As bebidas eram aguadas. Não havia água corrente para lavar os copos. Muitos jovens frequentadores eram menores de idade. Para entrar, tínhamos que assinar um livro de visitas - dúzias de Frank Sinatras e Judy Garlands estiveram por lá", relembra.



Semana da Parada gay de Dublin, que começou dia 18 de junho e termina no dia 27 de junho.
A cidade está em polvorosa, as bibas de plantão irlandesas e brasileiras, já estão preparando os modelitos para sábado, dia do evento, que começa na Parnell, desfila pela O'connell Street e culmina em um grande show.
Este ano o grupo LGBTQ de Dublin está organizando dias de esportes, shows em clubes noturnos, workshops, festivais de rua da comunidade Gay e cerimônias. Este ano será adicionado um elemento extra com um conjunto específico de Artes e Eventos Culturais, incluindo o "Movie Pride", primeira competição de curta-metragens, exposições de arte e um zine Pride, literário e noite de poesia. A comunidade está feliz de incluir exibições, celebrando as performances gays e idéias para a Irlanda.
O principal evento é a Dublin Pride Parade , que acontecerá dia 26 junho próximo. No ano passado, mais de 5.000 pessoas saíram para o desfile e o show ao ar livre .Este ano, os números serão ainda maiores e são esperados no desfile deste ano mais de 7.000 pessoas, por isso não deixe de vir para este fantástico evento. Para maiores informações, visite o site do Dublin Gay Pride:

http://www.dublinpride.ie/default.aspx

No Domingo acontece o "Pic Nic" de Marianne.Vai ser muito divertido, fechação total ao Estilo "Alice no País das Maravilhas". Quer evento mais Gay do que esse? ...Estão todos convidados.


Parada 2010




fonte da matéria "Orgulho Gay": A Capa
 

3 comentários:

Nivea Sorensen disse...

Ah eu sabia que tinha uma razão para eu gostar tanto de O Mágico de Oz...

Beijos coloridos,
N.

PS. acho que vale lembrar que em homenagem a Stonewall, Renato Russo chamou seu disco solo em inglês de The Stonewall Celebration Concert.

K∂riиє* Smith. disse...

Eta-lêlê!
Que saudade das paradas do Rj e de Sampa, porque as de Dublin são tão mais ou menos, né? hahaha

Mr. Lemos disse...

Boas comemorações! E que a vida de cada um seja sempre motivo de muito Orgulho...
abraco